domingo, 4 de março de 2012

Redação de concursos: bicho de sete cabeças?


A redação exigida nos exames sempre foi um impasse para os candidatos, devido à falta de afinidade não só com a norma padrão, mas, principalmente pela falta de exercitar a leitura. Muitos estudantes sentem-se diminuídos quando se deparam com uma folha de redação; não conseguem delimitar o tema; têm dificuldade em começar o primeiro parágrafo, porque dá um “branco” no momento mais importante da prova.
                As estatísticas comprovam que o Brasil é um país de não leitores, denotando uma situação que está implícita: se não há leitores, não há escritores. Esse mito surgiu com a ideia de reforçar a incapacidade que há nos educandos, uma vez que a leitura não se trata apenas em decodificar sinais gráficos, trata-se, porém, de traduzir um mundo de imagens, gráficos, gestos, sons, sinais, enfim. Então, não se deve julgar o todo por uma parte que fora mal desenvolvida; e mal incentivada por parte do sistema que compõe a educação, por isso, os candidatos não devem aceitar e nem se apoiar nessa premissa para justificar as dificuldades linguísticas que aparecem no caminho.
                Essa fama mal sucedida e impregnada na sociedade brasileira traz graves prejuízos para o desenvolvimento humano, por isso a redação ainda é um bicho de sete cabeças para muitos. Porém, deve-se estar atento e não se deixar contaminar pelos números negativos; todo e qualquer ser humano é capacitado para escrever uma redação que aborde quaisquer temas, desde que este tenha uma bagagem cultural em dia e tenha domínio de técnicas, pois o processo de correção avalia principalmente a construção e a disposição das ideias, o conhecimento de mundo que há no cidadão.
                Devemos, pois, analisar o momento de escrever como um exercício simples: é a tradução do que pensamos transferida para o papel, agregada de ousadia e criatividade. É materializar nossos argumentos através de sinais gráficos; é saber polemizar e despertar a reflexão crítica em outrem; é ter capacidade de persuadir, além de ter sensibilidade para ser original e buscar o imperceptível. Tudo isso são pré-requisitos para uma boa escrita. Convém que todos nós somos providos de inteligência suficiente para tal atividade; então devemos ter a redação como um trampolim para novas etapas da vida, sem medo de alcançar o cume do conhecimento e da autopromoção; é fundamental deixar a insegurança de lado. Todavia, para alcançarmos o ápice dos objetivos é preciso entender que o suposto bicho de sete cabeças é apenas um animalzinho de estimação adestrável. 
 Desirèe  Andressa Fabião

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Planejamento pedagógico: um faz de conta que acontece


Muitos professores são convocados para participar de reuniões cuja intenção é a de organizar assuntos, projetos que irão acontecer durante o ano. Porém, muitas escolas ainda veem o planejamento como uma atividade para atribuir trabalho, no mês de janeiro, aos educadores uma vez que eles não estão de férias; além disso, percebem-se nos encontros palestras cansativas que não acrescentam em nada, pois muitos gestores repetem aquela apresentação no Power point como se o processo educativo não tivesse inovações, ou pior: baixam da internet e só fazem ler no momento da reunião. Outro grave problema que ocorre é o fato de o planejamento ficar nas mãos do coordenador, visto que é uma tarefa de classe a qual o professor precisa entregar para garantir o emprego e mostrar boa conduta. O planejamento é uma ferramenta que deve se encontrar nas mãos dos professores, em vez de está guardado na gaveta de outrem, pois é ele quem deve ter autonomia para modificá-lo de acordo com o cotidiano e com a didática que ele escolheu.
Planejamento educacional é muito mais do que esquentar banco e ouvir blá-blá-blás: é facilitar o exercício do professor em todos os aspectos; é um “GPS” para seguir metas no ensino e aprendizagem; é conquistar e alcançar objetivos, além de conhecer todas as problemáticas que envolvem a educação; é saber quais são os problemas da escola; é ter domínio do Projeto Político Pedagógico; é conhecer pais de alunos; é saber quais decisões certas para serem tomadas; é ter propriedade das Leis de diretrizes e bases da educação brasileira, enfim, é uma tarefa que requer atenção durante todo o ano e não apenas durante uma manhã.
Existem vários profissionais da educação que pouco se importam, fazem trabalhos insossos por não estarem felizes com a remuneração, por isso evidenciam o insucesso e fama de que o Brasil é um país de educação duvidosa. Não há reciclagem de profissionais durante o ano, o que acarreta em graves problemas no momento de estes transmitirem um conteúdo inovado cheio de adequações à vida do alunado. Por causa do descaso, sentem-se acanhados para pedir um aumento, pois não fazem por onde merecerem.
O planejamento educacional no início dos anos letivos deve ser uma ferramenta de base para fundamentar a compostura do professor, devemos tê-lo como um aliado que deve ser posto em prática, precisa ser reformulado a cada situação do cotidiano, até porque não cabe envolver a educação apenas no campo do pensamento, dos contos da carochinha; devemos sim extrair das ideias as práticas que mudarão as famigeradas estatísticas que circulam pelo mundo desmoralizando o educador brasileiro. É preciso, meu amigo educador, dar-se o respeito para poder exigi-lo.
Contudo, planejar para educação não é um faz de conta que acontece, mas deve ser um instrumento de trabalho que garante respeito na comunidade escolar e no meio social. O planejamento educacional é um conto que aumenta outros pontos positivos para o processo de ensino e aprendizagem não só do aluno, mas, sobretudo de nós eternos educadores em transformação.