sábado, 30 de abril de 2011

Uso do hífen

LEMBREM-SE:  O novo acordo ortográfico só entrará em vigor a partir de 2012, previsto no Decreto n°6583: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6583.htm . Então, teremos até o fim de 2012 para aprender a escrever de acordo com as novas regras.

1-) O hífen passa a ser usado quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com a mesma vogal. 

Ex: microônibus (antes)
Micro-ônibus (novo acordo)

microondas ( antes)
micro-ondas ( depois)

antiinflamatório (antes)
anti-inflamatório (depois)

OBS.: Tal regra não se aplica aos prefixos “-co”, “-pro”, “-re”, mesmo que a segunda palavra comece com a mesma vogal que termina o prefixo.
coocupar – reescrever – proótico – proinsulina...

2-) Com prefixos, usa-se o hífen diante de palavras iniciadas com “h”. 
anti-herói – anti-higiênico – co-herdeiro - extra-humano – pró-hidrotópico – sobre-humano... 

3-) Utilizamos o hífen quando o prefixo terminar em consoante e a segunda palavra começar com a mesma consoante. 
sub-bibliotecário – inter-regional – super-romântico...


4-) Com o prefixo “-sub”, diante de palavras iniciadas por “r”, usa-se o hífen. 
sub-reino – sub-região – sub-reitor...

5-) Diante dos prefixos “-além, -aquém, -bem, -ex, -pós, -recém, -sem, - vice” usa-se o hífen. 
além-mundo– aquém-mar – recém-casado – sem-teto – vice-diretor...

6-) O hífen encontra-se presente diante do advérbio “mal”, quando a segunda palavra começar por vogal ou “h”. 
mal-acabado – mal-humorado– mal-intencionado...

7-) Com os prefixos “-circum” e “-pan”, diante de palavras iniciadas por “vogal, m, n ou h”, emprega-se o hífen. 
circum-adjacente - pan-americano – circum-hospitalar – pan-helenismo...

8-) O hífen encontra-se relacionado a casos relativos à ênclise e à mesóclise. 
amá-lo – dar-te-ei – entreguei-lhe...
9-) Usa-se o hífen mediante os sufixos de origem tupi-guarani, representados por “-açu”, “-guaçu”, “-mirim”. 
capim-açu – cajá-mirim – amoré-guaçu... 




NÃO SE USA HÍFEN:

1-) Não se utiliza mais o hífen quando o prefixo terminar em vogal e a segunda palavra começar por uma vogal diferente. 

EX: auto-aprendizagem ( antes)
autoaprendizagem (depois)

infra-estrutura(antes)
infraestrutura (depois)

co-edição
coedição


auto-estima (antes)
autoestima (depois)

2-) - O emprego do hífen ainda permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação, como também naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas. 

EX:
amarelo-claro – bem-te-vi – conta-gotas – guarda-costas– erva-doce – caneta-tinteiro... 

3-) Não se usa mais o hífen em locuções substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuntivas.

EX: fim de semana, café com leite, camisa de força,...

Exceções: 

O hífen ainda permanece em alguns casos, expressos por:

cor-de-rosa - água-de-colônia – lua-de-mel... 

4-) Quando a segunda palavra começar com “r” ou “s”, depois de prefixo terminado em vogal, retira-se o hífen e essas consoantes são duplicadas. 

Ex: Anti-religioso (antes) antirreligioso ( depois)

anti-social (antes) antissocial ( depois)

contra-senso (antes) contrassenso (depois )

ulta-som (antes) ultassom (depois)

5-) O hífen será mantido quando o prefixo terminar em “r” e o segundo elemento começar pela mesma letra. 
EX: hiper-requintado – inter-regional – super-romântico...

Além disso, a nova regra padroniza algumas exceções já existentes antes do acordo, expressas por: 
EX: minissaia – minissubmarino - minissérie... 

6-) Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de “r” ou “s”. 
EX: antinatural – anteprojeto – contracheque – geopolítica – semicírculo...

7-) O hífen não deve ser usado quando o prefixo termina em consoante e a segunda palavra começa por vogal ou uma consoante diferente. 

EX: hiperativo - hipertenso– interescolar– subemprego – superpopulação...

8-) Não se usa o hífen com o advérbio “mal” quando o segundo elemento começar por consoante. 

EX: maldormido – malgovernado – malvestido – malsucedido... 



O estudo é o sobrenome da felicidade.
Andressa Fabião

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Educar para autonomia ou para superficialidade?

Educar para a liberdade e autonomia nunca foi uma tarefa simples. Muitos de nós -professores e pais- sempre tivemos a concepção de que educar implica no ato de enquadrar os nossos alunos e filhos dentro dos moldes preestabelecidos por nós, uma vez que temos mais experiências do que é  interessante e sempre “ queremos o melhor caminho” para eles. No entanto, pecamos muito ao pensarmos assim, haja vista que não podemos limitá-los julgando o que é ideal para eles, mas devemos ser capazes de conduzí-los dentro do seu melhor, devemos potencializar aquilo que eles têm de excelência para expandir e isso nem sempre corresponde as nossas experiências de outrora. Quanto de infelicidade há naquele que satisfez aos pais e não a si mesmo? Que alternativa desejamos? Educar para autonomia ou para a frustração vindoura?
Etimologicamente pensando, a palavra EDUCAÇÃO é um vocábulo de origem latina: “Educare” que significa "conduzir para fora". Se respeitarmos o significado denotativo da palavra certamente nos faremos uma auto-crítica: Por que insistimos tanto no pensamento de que educá-los é formar de acordo com nossos parâmetros e para nós? Inconscientemente, agimos assim. Será que temos sempre uma verdade una, acabada e bem sucedida em mãos? É mister educá-los para compreender o mundo, para saber viver nele e isso envolve um exercício refinado, cauteloso que começa na infância rumo à velhice; parte da educação doméstica até a fase infinita da vida.
As escolas, na época de Aristóteles, eram lugares de reflexões prazerosas onde não havia stress e pressa para a apreender o importante. Hoje, infelizmente, o sentido da palavra ESCOLA se modificou: são negócios: cliente (alunos) e atendente (professor)- transgredindo  o próprio sentido palavra. Mas qual o papel fundamental das escolas atuais? Formar cidadãos capazes de se proverem financeiramente? Alimentando um indústria de cursinhos capazes de imbecilizar mais do que ensinar?  Isso é apenas uma das partes que está enraizada no resto do todo. Será que essas mesmas escolas são aquelas que promovem o pensamento complexo, a reflexão organizada? Ou sempre estarão acostumadas a reproduzir o inútil, entupindo as cabeças dos alunos de informações que nunca são bem degustadas?
Educar para liberdade e autonomia é proporcionar reflexão, crítica, disciplina; é encaminhar para caminhar-se com os próprios pés; é compreender o outro enquanto sujeito e não como objeto; é saber respeitar a opinião alheia, o gosto e a vontade do próximo. Além disso, é deixá-los transitar à vontade na estrada que lhes convier, mesmo que ela não seja aquela opção nossa que tanto idealizávamos.
A educação não pode estar relacionada com o fato de domesticarmos os outros como faziam os jesuítas em relação aos índios, aqui no Brasil. Devemos educar para proporcionar a liberdade consciente de si e de outrem; educar para viver sobretudo da ética.
Embora a educação bancária, com fins profissionalizantes, seja fundamental para que tenhamos uma das liberdades -que diz respeito às finanças- é deveras importante levarmos em consideração outros fatores que compõe a essência do indivíduo, pois só isso não fundamenta as outras educações que precisamos desenvolver. Autonomia financeira difere da desenvoltura emocional, da capacidade de respeitarmos o outro na sua condição, de compreender nossa relação com o meio ambiente, de compreender o nosso corpo, nossa saúde, de despertar para as múltiplas inteligências existentes em nós: artística, espacial, lógica, cognitiva, emocional, enfim, falo do todo que envolve tantas partes significativas que estão cada vez mais desprezadas.
Penso que a Paideia ( educação do homem grego) nunca esteve tão atual ao delinear a educação por um viés que envolve integralidade: corpo, mente, reflexão, todas elas se relacionando de modo que se comuniquem entre si, cujo objetivo é o de compor um todo perfeito dentro dos limites humanos. É a partir dessa base tão consistente herdada dos gregos que devemos pontuar nosso fazer educativo para que tenhamos o ínfimo de civilidade, de evolvimento com o que realmente importa para educar-se integralmente em vez de superficialmente.

Andressa Fabião