Educar para a liberdade e autonomia nunca foi uma tarefa simples. Muitos de nós -professores e pais- sempre tivemos a concepção de que educar implica no ato de enquadrar os nossos alunos e filhos dentro dos moldes preestabelecidos por nós, uma vez que temos mais experiências do que é interessante e sempre “ queremos o melhor caminho” para eles. No entanto, pecamos muito ao pensarmos assim, haja vista que não podemos limitá-los julgando o que é ideal para eles, mas devemos ser capazes de conduzí-los dentro do seu melhor, devemos potencializar aquilo que eles têm de excelência para expandir e isso nem sempre corresponde as nossas experiências de outrora. Quanto de infelicidade há naquele que satisfez aos pais e não a si mesmo? Que alternativa desejamos? Educar para autonomia ou para a frustração vindoura?
Etimologicamente pensando, a palavra EDUCAÇÃO é um vocábulo de origem latina: “Educare” que significa "conduzir para fora". Se respeitarmos o significado denotativo da palavra certamente nos faremos uma auto-crítica: Por que insistimos tanto no pensamento de que educá-los é formar de acordo com nossos parâmetros e para nós? Inconscientemente, agimos assim. Será que temos sempre uma verdade una, acabada e bem sucedida em mãos? É mister educá-los para compreender o mundo, para saber viver nele e isso envolve um exercício refinado, cauteloso que começa na infância rumo à velhice; parte da educação doméstica até a fase infinita da vida.
As escolas, na época de Aristóteles, eram lugares de reflexões prazerosas onde não havia stress e pressa para a apreender o importante. Hoje, infelizmente, o sentido da palavra ESCOLA se modificou: são negócios: cliente (alunos) e atendente (professor)- transgredindo o próprio sentido palavra. Mas qual o papel fundamental das escolas atuais? Formar cidadãos capazes de se proverem financeiramente? Alimentando um indústria de cursinhos capazes de imbecilizar mais do que ensinar? Isso é apenas uma das partes que está enraizada no resto do todo. Será que essas mesmas escolas são aquelas que promovem o pensamento complexo, a reflexão organizada? Ou sempre estarão acostumadas a reproduzir o inútil, entupindo as cabeças dos alunos de informações que nunca são bem degustadas?
As escolas, na época de Aristóteles, eram lugares de reflexões prazerosas onde não havia stress e pressa para a apreender o importante. Hoje, infelizmente, o sentido da palavra ESCOLA se modificou: são negócios: cliente (alunos) e atendente (professor)- transgredindo o próprio sentido palavra. Mas qual o papel fundamental das escolas atuais? Formar cidadãos capazes de se proverem financeiramente? Alimentando um indústria de cursinhos capazes de imbecilizar mais do que ensinar? Isso é apenas uma das partes que está enraizada no resto do todo. Será que essas mesmas escolas são aquelas que promovem o pensamento complexo, a reflexão organizada? Ou sempre estarão acostumadas a reproduzir o inútil, entupindo as cabeças dos alunos de informações que nunca são bem degustadas?
Educar para liberdade e autonomia é proporcionar reflexão, crítica, disciplina; é encaminhar para caminhar-se com os próprios pés; é compreender o outro enquanto sujeito e não como objeto; é saber respeitar a opinião alheia, o gosto e a vontade do próximo. Além disso, é deixá-los transitar à vontade na estrada que lhes convier, mesmo que ela não seja aquela opção nossa que tanto idealizávamos.
A educação não pode estar relacionada com o fato de domesticarmos os outros como faziam os jesuítas em relação aos índios, aqui no Brasil. Devemos educar para proporcionar a liberdade consciente de si e de outrem; educar para viver sobretudo da ética.
Embora a educação bancária, com fins profissionalizantes, seja fundamental para que tenhamos uma das liberdades -que diz respeito às finanças- é deveras importante levarmos em consideração outros fatores que compõe a essência do indivíduo, pois só isso não fundamenta as outras educações que precisamos desenvolver. Autonomia financeira difere da desenvoltura emocional, da capacidade de respeitarmos o outro na sua condição, de compreender nossa relação com o meio ambiente, de compreender o nosso corpo, nossa saúde, de despertar para as múltiplas inteligências existentes em nós: artística, espacial, lógica, cognitiva, emocional, enfim, falo do todo que envolve tantas partes significativas que estão cada vez mais desprezadas.
Penso que a Paideia ( educação do homem grego) nunca esteve tão atual ao delinear a educação por um viés que envolve integralidade: corpo, mente, reflexão, todas elas se relacionando de modo que se comuniquem entre si, cujo objetivo é o de compor um todo perfeito dentro dos limites humanos. É a partir dessa base tão consistente herdada dos gregos que devemos pontuar nosso fazer educativo para que tenhamos o ínfimo de civilidade, de evolvimento com o que realmente importa para educar-se integralmente em vez de superficialmente.
Andressa Fabião
Andressa Fabião
Valiosas reflexões Andressa. É fundamental que como indivíduos, pais e educadores reflitamos sobre a complexidade do ser integral: culto, sensível, íntegro, ético, respeitoso e acima de tudo HUMANO. A formação estritamente técnica e focada apenas no sucesso material fomenta a construção de uma sociedade menos coesa e mais fragmentada, menos plural e mais individualista, pautada num ser cada vez mais narcisista e egocêntrico. Voltarei aqui pra te ler outras vezes.
ResponderExcluir