Bullying é um termo que está em moda, muito se tem abordado e discutido em palestras acadêmicas, em escolas, em propagandas, vídeos, programas de tv, etc. O que está posto, na maioria das vezes, é o fato de que isso acontece apenas nas escolas e quem passa por esse dano são apenas os alunos. Engano.
O termo inglês, "bullying" cujo significado - ato de estar sendo intimidado por alguém sob tortura psicológica ou física - está para além dos colégios. O termo é polissemico e permite estender seu significado para diversas situações cuja violência se manifesta e as perguntas que não querem calar ficam soltas e com respostas afiadas: quantos de nós já sofremos bullying, seja no trabalho, quando o seu superior causou-lhe transtorno psicológico ao cobrar algo que estava fora do seu alcance e você foi para casa com o sentimento de impotência? Quais de nós ao estarmos em nossa própria casa, onde existe na relação a dois, um que desmerece, desrespeita, xinga, e até bate em você? Quantos de nós já sofremos isso na relação de parentalidade, em que o pai ou mãe, primo, tio, avó, avô, agride seu lado emocional físico sem perceber o dano que resultará numa possível frustração ou má formação vindoura? E na relação de amizade, em que o amigo perde a noção do respeito por ser 'demasiadamente' amigo e profere uma palavra cuja força dilacera qualquer consideração construída em outrora?
Tudo isso, eu chamo de bullying e o resultado desses alunos que ameaçam a integridade do outro, atualmente, com certeza, foram os mesmos que aprenderam com as próprias lições de casa ou da escola. Aprenderam que é normal por em xeque a inteligência emocional do outro em detrimento de uma pseudo relação de poder.
O mérito em questão é perceber que esse termo é abrangente e está para além das salas de aula, perdurando negativante na vida de um ser, sobretudo no momento em que ele ainda está em formação, e mais ainda quando já chegou à fase adulta.
O bullying se não for descoberto e resolvido no momento certo sempre estará presente no futuro. E você já praticou bullying alguma vez? Já sofreu?
Os que sobreviveram ao bullying foi pela inquietude de viver, pela vontade de potência em relação aos obstáculos da vida. Porém, me pergunto: e aqueles que não tem ousadia? Que sofrem por trás das cortinas?! O que fazer?
Denunciemos não só aqueles episódios que acontecem em sala de aula, nas redondezas das escolas, mas sobretudo aqueles que estão aí do seu lado, próximo à sua casa, perto do seu quintal. Com isso, teremos uma ação conjunta que não se restringe apenas a um espaço escolar, mas à sociedade como um todo.
Andressa Fabião

Boas reflexões Andressa. Assim como a violência sexual, o bullying também acontece com muita frequência e de forma velada dentro dos próprios lares das vítimas. Essa mudança de foco sobre a questão é fundamental pois nos envolve diretamente no problema ao redirecionar o olhar sobre o outro para o olhar sobre o eu.
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