A redação exigida nos exames
sempre foi um impasse para os candidatos, devido à falta de afinidade não só
com a norma padrão, mas, principalmente pela falta de exercitar a leitura. Muitos
estudantes sentem-se diminuídos quando se deparam com uma folha de redação; não
conseguem delimitar o tema; têm dificuldade em começar o primeiro parágrafo,
porque dá um “branco” no momento mais importante da prova.
As
estatísticas comprovam que o Brasil é um país de não leitores, denotando uma
situação que está implícita: se não há leitores, não há escritores. Esse mito
surgiu com a ideia de reforçar a incapacidade que há nos educandos, uma vez que
a leitura não se trata apenas em decodificar sinais gráficos, trata-se, porém, de
traduzir um mundo de imagens, gráficos, gestos, sons, sinais, enfim. Então, não
se deve julgar o todo por uma parte que fora mal desenvolvida; e mal
incentivada por parte do sistema que compõe a educação, por isso, os candidatos
não devem aceitar e nem se apoiar nessa premissa para justificar as
dificuldades linguísticas que aparecem no caminho.
Essa
fama mal sucedida e impregnada na sociedade brasileira traz graves prejuízos
para o desenvolvimento humano, por isso a redação ainda é um bicho de sete
cabeças para muitos. Porém, deve-se estar atento e não se deixar contaminar
pelos números negativos; todo e qualquer ser humano é capacitado para escrever
uma redação que aborde quaisquer temas, desde que este tenha uma bagagem
cultural em dia e tenha domínio de técnicas, pois o processo de correção avalia
principalmente a construção e a disposição das ideias, o conhecimento de mundo
que há no cidadão.
Devemos,
pois, analisar o momento de escrever como um exercício simples: é a tradução do
que pensamos transferida para o papel, agregada de ousadia e criatividade. É
materializar nossos argumentos através de sinais gráficos; é saber polemizar e
despertar a reflexão crítica em outrem; é ter capacidade de persuadir, além de
ter sensibilidade para ser original e buscar o imperceptível. Tudo isso são
pré-requisitos para uma boa escrita. Convém que todos nós somos providos de
inteligência suficiente para tal atividade; então devemos ter a redação como um
trampolim para novas etapas da vida, sem medo de alcançar o cume do
conhecimento e da autopromoção; é fundamental deixar a insegurança de lado. Todavia,
para alcançarmos o ápice dos objetivos é preciso entender que o suposto bicho
de sete cabeças é apenas um animalzinho de estimação adestrável.
Desirèe Andressa Fabião
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